Começou nessa quinta-feira, dia 19, em Pyongyang, o IX Congresso do Partido do Trabalho da Coreia. Trata-se do mais importante evento político do país: é nesses encontros, que ocorrem a cada cinco anos, que são definidas as diretrizes para a economia, a defesa, a política externa e o funcionamento do Estado como um todo. Reunindo cinco mil delegados e mais dois mil observadores, o Congresso é o momento em que a cúpula partidária presta contas do que foi feito e traça os rumos para o próximo ciclo.
A cerimônia de abertura foi realizada pelo Secretário-Geral do Partido, Kim Jong Un, que chegou à tribuna acompanhado da cúpula do Bureau Político. Sua presença foi saudada com vivas e aplausos pelos participantes — manifestação que, no contexto coreano, expressa o ambiente de unidade e respeito em torno da liderança.

Vale notar que, embora o Partido do Trabalho seja a força política dirigente, a Coreia não opera formalmente num sistema de partido único. Também marcaram presença na tribuna de honra representantes das outras duas legendas legais: Kim Ho Chol, presidente do Comitê Central do Partido Social-Democrata da Coreia, e Ri Myong Chol, presidente do Comitê Central do Partido Chondoísta Chong-u. Ambos atuam da forma colaborativa para promover o desenvolvimento do país, compondo seu espectro político.
Em seu discurso de abertura, Kim Jong Un adiantou um balanço dos últimos cinco anos, período que classificou como um dos mais difíceis já enfrentados pelo país. Ele mencionou as sanções internacionais, os desastres naturais e a crise sanitária global como fatores que impuseram obstáculos severos à economia e à segurança da nação. Apesar disso, segundo o líder, o país conseguiu não apenas resistir, mas avançar.
O Secretário-Geral afirmou que o VIII Congresso, realizado há cinco anos, foi um ponto de inflexão: o Partido reconheceu publicamente falhas em planejamentos anteriores e traçou metas mais realistas. A partir daí, com o que chamou de união entre Partido, povo e Exército, a Coreia teve êxito cumprir seu Plano Quinquenal, estabilizar setores industriais antes debilitados e dar início a projetos de infraestrutura e melhoria da qualidade de vida da população.

É nesse contexto que se inserem duas iniciativas centrais do Partido e do governo. A primeira é a chamada “Política de 20×10 para o Desenvolvimento Local”, um plano que prevê, ao longo de dez anos, a construção de modernas fábricas de indústria local em vinte cidades e condados por ano. O objetivo declarado é elevar o padrão de vida material e cultural das regiões fora da capital, garantindo que não haja desigualdade entre Pyongyang e o resto do país. De acordo com o balanço apresentado, já nos últimos dois anos, quarenta cidades e condados receberam as novas unidades industriais, e o programa foi, além do planejado inicialmente, ampliado para incluir também a construção de hospitais, centros de divulgação de ciência e tecnologia e vilas pesqueiras modernas em regiões costeiras, como na cidade de Sinpho e no condado de Rakwon.
A segunda iniciativa é o “Programa de Revolução Rural da Nova Era”, lançado em 2021 para transformar profundamente o campo coreano. O programa tem três pilares: a transformação ideológica dos trabalhadores agrícolas em “revolucionários rurais” segundo a Ideia Juche, o aumento vertiginoso da produtividade agrícola com base em ciência e tecnologia, e a modernização física das moradias e da infraestrutura rural. Kim Jong Un mencionou que, nos últimos anos, vilas inteiras foram reconstruídas, transformando áreas antes associadas à pobreza em comunidades modernas e prósperas — tema que abordamos em nosso último artigo. O programa prevê que, no futuro, as áreas rurais se tornem tão desenvolvidas quanto as cidades, eliminando gradualmente a diferença histórica entre campo e cidade.
O líder fez questão de creditar os resultados ao esforço coletivo. Agradeceu nominalmente a militantes, operários, cientistas e soldados — incluindo os batalhões de construção do Exército Popular que atuam nas diversas frentes da construção socialistas — classificando-os como peças fundamentais para a recuperação do país.
Sobre os próximos passos, Kim Jong Un disse que o novo Congresso servirá para corrigir o que ainda não funciona bem — mencionou, sem dar ainda detalhes específicos, problemas como burocracia, irresponsabilidade de alguns quadros e resistência a mudanças. Ele defendeu que os planos para os próximos anos sejam mais ambiciosos, porém bem fundamentados, e que o foco continuará sendo o desenvolvimento das regiões e a modernização do campo, projetos que chamou de “anseios históricos do povo coreano”.
Ao final do discurso, foi declarado oficialmente aberto o IX Congresso e os delegados ouviram o hino nacional da República Popular Democrática da Coreia
Na sequência, por encargo do Bureau Político do Comitê Central do PTC, Jo Yong Won, secretário de organização, conduziu a reunião à fase de votação da mesa diretora e da agenda de trabalhos.


Entre os principais pontos a serem discutidos estão a revisão das atividades do Partido nos últimos cinco anos, emenda do estatuto e a eleição da nova direção. O Congresso deve se estender por alguns dias, e os desdobramentos das decisões tomadas em Pyongyang deverão orientar a política coreana pelos próximos anos, com ênfase na continuidade da transformação da capital, da política de desenvolvimento local e do programa rural que marcaram o período anterior.
Instituto Paektu – Brasil
(com informações da ACNC)
Referências:
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