Kim Yo Jong responde aos EUA: “Desnuclearização é uma ilusão”

No dia 6 de junho, Kim Yo Jong, chefa de departamento do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, fez uma declaração que não deixa margem para dúvidas.

O ponto de partida foi o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA ter afirmado na mídia que, na cúpula bilateral do mês passado (maio de 2026), entre Trump e Xi Jinping, ambos os lados teriam reafirmado o “objetivo comum da desnuclearização da RPDC”.

Kim Yo Jong foi direta classificando tal afirmação como uma isso é uma falsificação completa. Continuou que os EUA insistem num “sonho anacrônico” que nunca se realizará, no que se refere ao tópico de desnuclearização. A Coreia deixou claro que jamais negociará sua soberania, sua segurança ou qualquer violação à sua Constituição.

Ela também recordou que, por outro lado, os EUA seguem reforçando a aliança militar agressiva com a Coreia do Sul — agora aprovaram a exportação de projéteis de precisão, como se a realização cotidiana de exercícios que pressupõem o uso de armas nucleares contra a RPDC já não bastasse — e pontuou: “É exatamente por isso que estamos reforçando nossa capacidade autodefensiva”.

Kim Yo Jong reafirmou que o status nuclear da RPDC é irreversível e que, diante do perigoso fortalecimento da aliança nuclear anti-Coreia, o único caminho é continuar expandindo o dissuasivo nuclear autodefensivo, conforme já decidido pela Direção coreana.

O recado final é enfático:

“A arma nuclear é a lógica mais poderosa no debate com aqueles que adoram a força. Jamais toleraremos qualquer ameaça contra a nossa soberania e segurança.”

Ou seja: os EUA podem fazer o que quiserem. A Coreia não vai recuar. E soberania não está em jogo.


Instituto Paektu – Brasil
(com informações da ACNC)


Referências

Kim Jong Un visita nova fábrica nuclear e anuncia crescimento exponencial

No último dia 3 de junho, o Marechal Kim Jong Un fez mais uma importante visita orientação que demonstra claramente que o programa nuclear do país não apenas continua, mas está entrando numa nova fase. Desta vez, o local foi uma fábrica de produção de substâncias nucleares recém-inaugurada, equipada com tecnologia de ponta desenvolvida localmente.

Acompanhado pelos quadros do Departamento de Indústria Militar e do Instituto de Armas Nucleares, o líder percorreu os novos processos produtivos e recebeu os números: nos últimos cinco anos, a capacidade de produção de materiais nucleares mais que dobrou. Não é pouca coisa. E mais: o plano agora é acelerar ainda mais.

Os motivações subjacentes

A resposta de Pyongyang é direta: porque o mundo continua hostil e a Coreia jamais irá se desarmar sozinha — ao contrário do que os Estados Unidos, cinicamente, insistem em exigir. Kim Jong Un foi claro ao lembrar que a revolução coreana é uma luta de longo prazo contra os rivais “mais brutais” — uma referência direta aos EUA e seus satélites na região — e que, diante das ameaças existentes e de outras que ainda virão, a única garantia de segurança é ter um dissuasivo nuclear forte, tanto em qualidade quanto em quantidade.

Numa reunião consultiva realizada no mesmo dia, o líder anunciou:

“Determinamos o plano de alcançar o crescimento exponencial das forças armadas nucleares do Estado. Isto constitui uma transformação e um êxito assombrosos, um acontecimento histórico que marcou um ponto de virada.”

Não é a primeira visita. E nem será a última.

Quem acompanha o Instituto Paektu sabe que esta já é a terceira visita de Kim Jong Un a instalações nucleares desde setembro do ano retrasado. Em 2024, ele esteve no Instituto de Armas Nucleares e na base de produção de materiais de uso militar, onde destacou a necessidade de aumentar “em progressão geométrica” o número de artefatos nucleares. Em janeiro de 2025, disse que aquele ano seria o “ponto decisivo” para o plano quinquenal do setor.

Na altura da primeira visita, fizemos uma live onde explicamos em detalhes o que ela revelou pela primeira vez e o seu significado histórico, contando com uma contribuição de peso: uma avaliação técnica do respeitado Almirante Oton Luiz Pinheiro da Silva, considerado o pai do programa nuclear brasileiro, que nos ajudou a traçar um paralelo didático de como os norte-coreanos desenvolveram rapidamente sua própria tecnologia de centrífugas e levitação magnética.

Para quem não pôde assistir na época, o replay está disponível no nosso canal. Vale a pena para entender o nível de sofisticação que a Coreia alcançou.

Cumprir fidedignamente a missão de país possuidor de armas nucleares

Kim Jong Un encerrou a visita reafirmando que a vontade da Coreia é firme e audaz: defender a Constituição, garantir a segurança do Estado e usar o desenvolvimento acelerado das armas nucleares como ferramenta para dissuadir a guerra e preservar a paz na região e no mundo.

O recado é o mesmo de sempre, mas com um volume mais alto: a Coreia não vai recuar. E, pelo que os números mostram, tampouco irá desacelerar.


Instituto Paektu – Brasil
(com informações da ACNC)


Referências