O dia de hoje marca o 73º aniversário da assinatura do armistício que pôs fim, pelo menos no que diz respeito aos combates abertos no campo de batalha, à Guerra de Libertação da Pátria (1950-1953). Pode soar estranho aos ouvidos ocidentais os termos “vitória” e “Guerra de Libertação da Pátria” para se referir ao que geralmente estamos acostumados a reproduzir de “conflito sem vencedores” e “Guerra da Coreia”. Mas o 27 de julho foi uma grande vitória, de verdade.
A Guerra de Libertação da Pátria é assim chamada na República Popular Democrática da Coreia porque, para aquele povo, ela representou isso: uma guerra justa que visava libertar toda a pátria coreana, ocupada desde 1945 por uma potência hostil, os Estados Unidos.
Entre 1948 e 1950, ocorreu uma série de deliberados ataques coordenados contra a borda norte do Paralelo 38, que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, era o marco que dividia o Norte (desocupado pelos soviéticos) do Sul (até hoje ocupado pelos americanos) da Coreia. Em 25 de junho de 1950, sob a liderança do General Kim Il Sung, o Exército Popular da Coreia lançou uma gigantesca contraofensiva que abarcou toda a extensão do Paralelo 38 e iniciou um movimento de libertação na direção sul.

Pegos de surpresa, as tropas provocadoras dos Estados Unidos e da Coreia do Sul recuaram. Para se ter uma ideia, em apenas 3 dias o Exército Popular da Coreia chegou à capital sul-coreana, Seul, sendo recebido pela população local que os via como libertadores do regime fantoche de Syngman Rhee, uma autoritária figura que desde 1945 governava para os Estados Unidos. Dali em diante, as próximas semanas da guerra seriam marcadas por avanços extraordinários do Exército Popular da Coreia, que só encontrou obstáculos e perdeu a iniciativa de batalha ao se aproximar da cidade portuária de Busan, que serviu de trampolim para a próxima etapa da guerra. Desesperados, os EUA convocam meio mundo para ir à Coreia guerrear pelo direito de ocupar uma terra que não pertencia a ninguém mais que os coreanos. A partir de Busan, chegaram reforços de mais de uma dezena de países e partiram dali os primeiros esquadrões de super bombardeiros que inaugurariam a normalidade do conflito: as campanhas de bombardeamento total de todo o território da República Popular Democrática da Coreia.

Os extensos bombardeios, mais potentes do que todos os da Segunda Guerra Mundial somados, dizimaram milhões de coreanos, em sua maioria civis inocentes. Aliado a isso, os massacres perpetrados pelas tropas ianques e sul-coreanas imprimiram na memória histórica da Coreia do Norte um trauma que o país pretende nunca mais sofrer – daí seu sofisticado programa nuclear.
Apesar de terem carregado para a Coreia uma grande lista de países – como Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Turquia, Holanda, Grécia, Nova Zelândia, África do Sul, Filipinas, Tailândia, Bélgica, Luxemburgo e Colômbia -, a internacionalização da guerra na Coreia só não foi maior porque a classe operária de vários países do mundo saiu às ruas para impedir o envio de tropas de intervenção, como aconteceu no Brasil, com o movimento “nossos filhos não irão para a Coreia”, encabeçado pela militante comunista Elisa Branco, posteriormente premiada na União Soviética com o Prêmio Stalin da Paz por seu papel decisivo na pressão pública sobre o governo brasileiro para não participar do conflito.
Após 3 anos de idas e vindas militares pela Península da Coreia, a parte Norte, com auxílio de tropas voluntárias chinesas, conseguiu impor um armistício nada vantajoso aos EUA , já que este instrumento cessava as hostilidades mais ou menos no ponto do começo da guerra e assegurava a existência e funcionamento pleno do Estado da República Popular e Democrática da Coreia.
Mais de 7 décadas se passaram desde aquele Dia da Vitória sobre os imperialistas americanos e seus aliados e o grande feito do povo coreano, sob liderança do General Kim Il Sung, segue como um exemplo brilhante de que é possível vencer o imperialismo e de que nações pequenas, munidas da correta ideologia e liderança, como a Coreia, podem resistir bravamente e contrariar as estatísticas. O julho de 1953 na Coreia inaugurou um período até hoje presente de sucessivas e vergonhosas derrotas militares sofridas pelos Estados Unidos.
(Lucas Rubio)

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